Gente, isso aqui está virando um blog de shows, festas e afins. Affmaria… Mas escrevo na vontade de cristalizar o momento, portanto, lá vai…

Eu (atrás, de branco), Michel (à esquerda, de preto), Aline, de preto, Giselle, de jeans, e uma galera massa que conhecemos
Sabem felicidade plena? Momentos do tipo em que nada mais importa, em que você se desliga do mundo, ou se conecta com ele de uma maneira tão perfeita que você se perde, mas se acha?
Então. Nunca nem cogitei a possibilidade de ir a um show de Alanis Morissette. Tudo bem, ela foi a trilha sonora da minha faculdade de jornalismo, ela tem o dom de transcrever sentimentos, e ela é meio anarquista. Mentira, ela é totalmente anarquista. Maaas, ela não é Madonna. No sentido de que minha história com a Material Girl vai longe, tem mais coisas agregadas. Não iria ao Rio para ver um show dela e, sendo o tipo de som que só acontece no eixo Rio-Sampa, era fora da realidade.
Rá rá, nunca subestime a vida, Juliana.
Eis que Alanis veio tocar em Recife, quintal de João Pessoa, apenas duas horinhas de distância da minha poltrona! Deus tem sido, realmente, muito bom pra mim.
Quem me avisou do show foi um amigo de Recife, por uma mensagem de celular, quando eu estava passando pela zona portuária do Rio, rumo ao aeroporto, de volta à realidade. Lembro porque estava no maior bode (ir embora do Rio, para mim, é sempre uma m.) e essa preciosa informação me deixou com menos raiva de estar saindo da Cidade Maravilhosa.
Trinta e poucos dias depois, estávamos eu, Giselle, Aline (duas grandes amigas que compartilharam as mesmas histórias escutando Alanis – elas estarem lá deixou tudo perfeito) e Michel, futuro marido de Aline, esperando numa chuva de lascar os portões do Chevrolet Hall abrirem.
Mas.. e daí que estava chovendo, podia estar nevando! E daí que, mesmo depois de entrar, esperamos por três horas? E daí que nesse meio tempo, tinha uma dj, mas o som estava tão baixo que parecia som ambiente? E daí que eu cheguei a cochilar no ombro de Aline?!
Dane-se!
Porque, quando eu estava no meio de um sonho (juro), os gritos do povo me acordaram e eu levantei pulando, no susto, e pulei até chegar de volta em João Pessoa. Fiquei em transe.
Minha experiência com drogas só vai até o álcool, mas acho que algumas substâncias ligam e desligam coisas em seu cérebro de uma maneira similar à situações como essa. Embarquei numa viagem boa, numa entrega total, se é que dá para explicar. Tudo desapareceu, havia a música e eu. [frasesinha brega, mas que serve para tentar ilustrar como me senti].
Alanis é louca. Enlouquecida. Ela não para, corre o palco inteiro e, mesmo nos momentos em que está sentada, você percebe que aquela energia não cabe dentro dela de tão grande. E, enquanto ela canta sobre como o ex precisa saber o quanto ele a deixou mal, ou sobre como devemos ser gratos pelo silêncio e até pelas desilusões, ou sobre como ela pode se sentir tão pouco sexy para alguém tão bonita, você toma a dor e a alegria dela para você (até porque são coisas que já estavam em você, como ela soube?!) e se emociona de verdade quando ela afirma que, no fim das contas, meus queridos amigos, tudo vai ficar bem. E você se descobre plenamente feliz. E infinitamente agradecido.
De saldo, um sentimento bom, e um corpo acabado. Pulei tanto que as batatas da minha perna viraram purê. No dia seguinte eu não andava… e, até agora, estou com problemas para subir escadas. No meu transe, também esqueci que estou beirando os 30!
E, ainda, a necessidade de agradecer a Deus por esses momentos. Quem sou eu para merecer tanto. Aliás, todos merecemos, não é mesmo? Obrigada, obrigada, obrigada.
Beijos, pessoas!
PS. Alanis é um docinho. Começou dizendo ‘Thank you for having us’ (obrigada por nos receberem), e falou ‘Thank you’, ‘bless you’ and ‘you’re gorgeous, I love you’ trocentas vezes. Ela tem uma voz limpa, clara. Coisa rara. E que banda, PQP! Aquilo foi rock de primeira. PQP, PQP!!!
PS2. Vontade de estar no Rio, de novo. Hoje tem show dela lá… rs