Aeroportos são lugares estranhos, como um vácuo, aterritoriais (se essa palavra não existe, deveria). Quer dizer, é claro que, obrigatoriamente, eles têm de estar localizados em algum lugar, em alguma cidade, mas é como se não estivessem. Estão lá, fisicamente, mas não fazem parte dela. São locais de passagem, não existem por si mesmos, são um limbo.
Minha cidade preferida no mundo inteiro (no pequeníssimo mundo que eu conheço, pelo menos) é o Rio de Janeiro, por motivos que não caberiam em 1000 posts. Infelizmente, desde 2005 que não vou lá, por uma mistura de falta de tempo, de reais e de coragem, já que, depois que minha sobrinha nasceu, fiquei com medo de morrer (vá entender minhas loucuras). Pois bem, esta semana, por conta de uma reunião de trabalho, passei exatamente 3 horas e 40 minutos na cidade, esperando por uma conexão. Quer dizer, na cidade vírgula, no aeroporto.
Geralmente, sou a pessoa mais feliz do mundo quando vejo o Galeão e as luzes da Cidade Maravilhosa, e, desta vez, não foi diferente. Mas estar no Rio e, ao mesmo tempo, não estar no Rio foi muito estranho. Foi como não poder tocar em algo que estava alí, bem do lado. Como diz o título, foi estar no limbo. O máximo que pude fazer foi passar pela porta do aeroporto para admirar o amanhecer nublado da cidade, onde fiquei por alguns minutos destoando totalmente do lugar: enquanto uns corriam para dentro e outros para fora, eu fiquei lá, imóvel, com a fila de taxistas esperando que eu desse sinal para entrar em algum dos carros e o segurança querendo saber se eu estava perdida, ou se precisava de alguma coisa. Perdida eu não estava, afinal, é impossível se perder se você não está em lugar nenhum. E necessidade, mesmo, só a de esticar a mão e alcançar o Rio.
PS. Engraçadinha, Nina e Beth, lembrei de vocês!
PPS. Reparem não, quem me conhece sabe que, de vez em quando, sai um post meio diferente, como este… rs